A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) surge a partir da construção de um outro imaginário do Semiárido brasileiro. Com essa expectativa, foram desencadeadas iniciativas em diversos estados da região, tendo como base a agroecologia, a segurança alimentar e nutricional, a educação contextualizada, o combate à desertificação, o acesso à terra e à água e a promoção da igualdade de gênero. Através delas, começou um processo de desconstrução da imagem do Semiárido brasileiro divulgada pela mídia, cuja ênfase eram as graves consequências das secas.
Muitas dessas iniciativas tiveram eco em alguns movimentos sociais e contribuíram para a realização de manifestações, a exemplo da ocupação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em 1993. Algumas movimentações políticas, articulações e fóruns, como o Fórum Seca (1991), em Pernambuco, a Articulação no Semiárido Paraibano (1993), e o Forcampo (1994), no Rio Grande do Norte, foram decorrentes dessa mobilização.
Em 1999, durante a 3ª Conferência das Partes da Convenção de Combate à Desertificação e à Seca (COP3), no Recife, a sociedade civil organizada e atuante na região semiárida brasileira promoveu o Fórum Paralelo da Sociedade Civil. Esse fórum provocou grande repercussão nos níveis regional e nacional, dando visibilidade às questões do Semiárido brasileiro. É durante o Fórum que a ASA lança a Declaração do Semiárido, se consolida enquanto articulação e propõe a formulação de um programa para construir 1 milhão de cisternas na região. |