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Comunidade no Semiárido mineiro impede ação de máquinas que destruíam o Cerrado
Helen Borborema e Carlos Dayrell û comunicadora popular e agrônomo
UGT STR de Porteirinha e UGM CAA Norte de Minas/MG
07/10/2009

Comunidade Geraizeira de Raiz, localizada no município de Rio Pardo de Minas, no semiárido mineiro, conseguiu uma importante vitória na luta em defesa do cerrado e o seu território tradicional. No dia 24 de setembro, a exemplo do ambientalista Chico Mendes na defesa da Amazônia, quase uma centena de agricultoras e agricultores organizados conseguiram a retirada das máquinas retroescavadeiras da empresa de monocultura de eucalipto Replasa que estavam invadindo o território e destruindo áreas de cerrado em regeneração.

Segundo membros da comunidade local, essa não foi a primeira vez que a comunidade protestou pela retirada das máquinas. Dia 21 de setembro, dia da árvore, uma semana após terem denunciado aos órgãos ambientais, eles telefonaram para a polícia ambiental depois tentar sem sucesso conversar com o maquinista. Apesar de terem enviado viaturas ao local, os policiais não resolveram a questão.

Inconformados, a comunidade insistiu e mais organizados, voltaram quatro dias depois, dispostos inclusive a atear fogo na máquina caso não suspendessem o serviço. Após ameaças, o maquinista resolveu se retirar. A polícia chegou ao local fortemente armada, mas depois de conversar, reconheceu a demanda da comunidade e lavraram o boletim acolhendo a denúncia e suspendendo todo e qualquer serviço da empresa de monocultura de eucalipto na área.

Segundo o Eliseu José de Oliveira, dirigente do Movimento Articulado dos Sindicatos de Trabalhadores do Alto Rio Pardo (Mastro), “a comunidade Geraizeira de Raiz está em busca de seus direitos”. Ele visitou o local e confirmou a grande devastação ambiental provocada pela monocultura do eucalipto. Segundo Eliseu, a extensa plantação provocou “o secamento de suas águas, deixou a comunidade encurralada, e contribuiu também para desestruturar o modo de vida deste povo geraizeiro”.

Eles afirmam que a principal reivindicação é que os governos federal e estadual reconheçam o seu território e contribuam com a recuperação das áreas que foram degradadas pela monocultura do eucalipto. Eles querem que o modo de vida geraizeiro seja reconhecido e respeitado para que seus filhos não precisem ficar migrando todos os anos em busca de serviço no corte de cana ou na colheita do café nas regiões sudeste ou centro-oeste.

Segundo uma carta aberta divulgada no dia 24 de abril de 2008, dia que a comunidade realizou a auto-demarcação de seu território, eles afirmam: “Queremos voltar a produzir como antes, explorar com cuidado as nossas riquezas, e que os nossos filhos tenham orgulho de serem geraizeiros.”

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